30 junho, 2006

Sozinho

Era um disco-voador. Olhei e pensei ser um avião; era branco e flutuava, mas parecia estar parado. Não me assustei. Continuei ali deitado na prancha, no meio daquele mar de pequenas ondas, olhando pro céu... E como é grande esse mar. E como o céu é maior. Olhei em torno com os olhos de quem olha de cima, olha por trás dos olhos e enxerga tudo de uma vez. Costumava fazer isso quando era menino; olhava as coisas de um jeito esquisito de quem pergunta pra quê aquilo tudo, por quê existe o existir. Que modo engraçado de uma pessoa de dez anos pensar na vida. Ficava sem resposta e me distraia. Depois me acostumei. Olhei de novo para aquele ponto no céu e nada. Tinha sumido. Era um disco-voador. Continuei na mesma, sem me sobressaltar, olhando o azul do céu... azul que não está lá, que é ilusão, fronteira entre olhos e estrelas. Tive, então, a ligeira sensação de estar sozinho. Bem, sozinho estava mesmo, tirando algumas poucas pessoas que foram à praia naquela tarde de segunda. Mas não era isso. Me senti sozinho, vagando no mundo, como cada um é. Sozinho como quando se morre. Pois sei que mesmo depois das bodas de ouro morreremos sozinhos. E assim me sentia. Perdido, naquele mar sombrio e inconstante. Ovni do mundo. Depois nadei até a areia. Sozinho.

<$BlogItemCommentsCount$> Comentários:

Anonymous renata disse...

duvido q era um disco-voador!vc já tinha contado essa...ficou bem melhor assim!
quer dizer q vc foi um menino prodigio..com dez já pensava na vida existencial!rsrs
gostei...ovni do mundo!

não consigo entender o pq das demoras para atualizar os textos!são bons,bruno!
bjs

2/7/06 13:30  
Anonymous mari disse...

eu já desisti de ser a primeira a comentar aqui alguma vez na vida... primeiro porque você nunca me avisa e segundo porque tem plantão, aí é foda... hahaha

e o anônimo, sumiu?
hahahaha

ai, me divirto.


mas então: eu nem ia comentar mais coisa não,
porque você já sabe o que eu achei.
mas vamos lá, lindusco.

você escreve muito bem, amor, muito.
mas ainda acho aquela coisa do caio de primeiro vomitar e depois fazer uma flor bonita. aquela coisa do nietzsche de ter que ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela.
eu achei lindo, e você escreve lindamente bem.
mas eu acho que falta sangue.
e não é sangue de dor.
é sangue de fazer bater o coração.
se dar ao que se diz. ser o que se diz e fazer o que se diz ser o que você é.


ps1: vai morrer sozinho ou vai morrer menino? rs
ps2: "fronteira entre olhos e estrelas". lindo.
ps3 [o mais importante!]: te amo muito!

3/7/06 18:22  
Anonymous mari de novo disse...

comentário muito fofo o seu pro alo, amor!
adorei. ;)
fofo com fofo é assim.
hihihihih

3/7/06 21:17  
Anonymous alo disse...

pois é.
estamos a fadado à solidão. solidão não me desacompanha, ouso quase amá-la.
pois então.
quando criança, e até hoje, também costumo olhar pro céu. as nuvens me carregam pra uma dimensão fofa, cristalina, confiante em combinações azul e branco. me levam a amar o delírio àcido de existir na existência.
pois não.
e se o planeta for um disco voador?

abraço amigo abraço.

6/7/06 11:08  
Blogger Marcela Bertoletti disse...

Achei muito legal esse texto, realmente, no fundo, sempre estamos sozinhos.
Vc andava sumido msm! Tava sentindo a sua falta no blog, rs!
Gostei mt msm!
:)
Bjinhos

7/7/06 19:00  
Blogger Marcela Bertoletti disse...

hora de atualizar!
rs
bjs

23/7/06 23:23  
Anonymous rapha disse...

fala doido..

saiu do yorgut?

e bons textos como sempre... mas tb concordo que não é necessário a dor para escrever, mas apesar de nela ser mais fácil se abrir...

25/7/06 21:42  

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