Vingança

Ao entrar no quarto daquele homem que tanto odiava, e ao vê-lo tranqüilamente dormindo, não hesitou e cravou-lhe no peito a faca que tinha nas mãos. Esfaqueou-o mais uma vez com as duas mãos carregadas de raiva. Matou-o. Ameaçou em silencio com a faca ensangüentada a mulher que havia acordado com o gemido abafado do marido. Passou pela porta da frente deixando para trás o choro e os gritos desesperados daquela mulher. No carro, retirou o capuz negro. Pisando fundo no acelerador, certificou-se pelo retrovisor que estava livre. Olhou-se no espelho como se olhasse para um cúmplice e não para si. Havia alegria e indiferença em seu olhar. Sentia o alívio de ter cumprido a sua vingança. Mas ainda sentia a dor que a vingança não apagara. Passou a mão pelo rosto e sentiu uma gota que estava escondida em seu olho. Uma única lágrima.